28/10/2010

LÁ FORA: "A Imagem na Ciência e na Arte"

A Fundação Calouste Gulbenkian e o Centro de Filosofia das Ciências da Universidade de Lisboa, no âmbito do projecto FCT «A Imagem na Ciência e na Arte», realizam o ciclo de conferências Image in Science and Art.
 Este projecto precede o Colóquio Internacional Image in Science and Art, a realizar nos dias 17, 18 e 19 de Fevereiro de 2011 na Fundação Calouste Gulbenkian.
 
Assim, já no próximo dia 17 de Novembro, pelas 18h00, irá ter lugar no Auditório 2 da Fundação Calouste Gulbenkian a conferência ‘Taking it on Trust’ in Images of Nature, proferida por Martin Kemp.



PRÓXIMAS CONFERÊNCIAS


15 de Dezembro de 2010
18h00
The Problem of a Picture of an Atom
Christopher Toumey

19 de Janeiro de 2011
18h00
Visiting Time: The Renegotiation of the Time through Time-based Art
Boris Groys

2 de Fevereiro de 2011
18h00
Functional Images of the Brain: Beauty, Bounty, and Beyond
Judy Illes

INFORMAÇÕES
Projecto «A Imagem na Ciência e na Arte»

INFORMAÇÕES
Estabelecimentos de ensino interessados em participar:
Serviço de Ciência
Fundação Calouste Gulbenkian
Av. de Berna 45A – 1067-001 LSBOA
T. 217 823 525

25/10/2010

MAGAZINE: Mais notícias sobre as lesmas-do-mar fotossintéticas

A propósito dos textos que escrevi recentemente sobre as lesmas-do-mar que realizam fotossíntese, informo que saiu mais uma notícia, desta vez no jornal Público, sobre o trabalho desenvolvido por investigadores portugueses e coordenado pelo Instituto Português de Malacologia (IPM).
Saliento a explicação do investigador Gonçalo Calado acerca deste trabalho. O biólogo explica que a novidade não passa tanto pelo facto de um animal realizar fotossíntese, mas pelo modo como o faz. Em textos anteriores referi que as lesmas-do-mar "roubam" os cloroplastos (cleptoplastia) às algas das quais se alimentam, usando-os posteriormente em seu benefício, obtendo energia através da luz, o que é vantajoso em condições em que o alimento é pouco abundante. Mas os cloroplastos só são funcionais porque estes moluscos já possuem no seu núcleo genes para coordenar estes organelos. Os genes em questão, terão sido passados da alga para o molusco, ao longo do processo evolutivo.

Para mais informações consultar a notícia: http://ecosfera.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1462604

19/10/2010

O APELO DA SELVA: Os Deslumbrados

DEUS DÁ-NOS AS NOZES, MAS NÃO É ELE QUEM AS PARTE


Como os órgãos sexuais controlam as migrações



A história dos salmões do Pacífico e do Atlântico impressiona muita gente: depois de vários anos passados no oceano, e quando chega a altura da reprodução, os salmões reconhecem sem hesitações o rio ou a ribeira de onde brotaram e sobem-na até ao cume das montanhas, onde está a nascente, incansavelmente em saltos atléticos contra a corrente, até atingirem a água fria onde anos antes eles próprios vieram ao mundo. Agora os machos voltam a copular com as fêmeas, voltam a nascer hordas de peixinhos minúsculos e a geração dos pais fica com eles apenas o tempo estritamente necessário até que os jovens saibam nadar e alimentar-se. Depois, todos juntos, recomeçam a descer o rio, rumo ao mar onde se tornarão adultos.



A desova das grandes tartarugas também é motivo de emoção para muitos: aparecem de vez quando, nas praias e rochas das costas do Pacífico e do Índico, sem que se lhes perceba qualquer preocupação na vida – a não ser, evidentemente, a transmissão de genes à progenia, bem como a garantia de que esta vai realmente existir. Para isso, uma vez por ano, assim que entra o primeiro dia do período fértil, chegam a nadar mais de três mil quilómetros para atingirem as ilhotas mais remotas, no meio do mar, onde elas próprias nasceram. Depois da cópula, fazem um buraco na areia tão fundo quanto possível, depositam aí todos os embriões, cobrem-nos outra vez para que ninguém os veja, e vão-se embora rapidamente – e esta parte é muito importante, pois as praias das ilhas, mesmo das mais remotas, não são, de todo, tão inócuas como as nascentes dos rios no cume das montanhas.



Estes dois exemplos da vida animal, tanto o do salmão como o da tartaruga, têm em comum um aspecto fundamental no desenvolvimento: a necessidade de regressar ao ponto de origem para recomeçar o ciclo da espécie. Mas o que é que controla este itinerário? Ainda não se sabe. No entanto, sabe-se que, se retirarmos quer aos salmões quer às tartarugas as suas gónadas (os orgãos sexuais, que são ou os testículos ou os ovários) , eles esquecem completamente a aventura da reprodução e ficam nas calmas a aboborar nos oceanos. Engordam muito, como é natural, e os pescadores e empresários servem-se deste truque para tirarem mais carne de cada animal, num processo que retira a estes animais todo o fascínio característico ao comportamento milenar da sua espécie.

O APELO DA SELVA: Danadas para a Brincadeira

AS Orchis, ESSAS MALUCAS




A destruição da selva amazónica leva ao desaparecimento de milhares de variedades de orquídeas por ano, algumas das quais não chegaram sequer a ser catalogadas. Porém, mesmo com este rol impressionante de extinções, esta flor ultrapassa largamente as cerca de vinte mil espécies conhecidas. E vivem em toda a parte: no restolho português, depois dos fogos; nas neves eternas; nas florestas tórridas. Quando é difícil alcançar a luz, tornam-se epífitas, que é como quem diz que vivem com as raízes penduradas nos ramos de outras árvores. Isto significa, entre muitas outras coisas, que se a floresta tiver sete estratos diferentes dependentes da luz, as orquídeas podem ser de sete tipos diferentes. Os benefícios de viver com as raízes penduradas são evidentes: há um menor investimento energético, uma vez que a construção de “alicerces” não é necessária; o acesso a praticamente todo e qualquer habitat é livre; e não há nenhum dispêndio de esforços para conseguir a vital exposição à luz solar. “E acesso à água?”, perguntar-se-ão (e muito bem). Tranquilo. A revestir as raízes pendentes, têm células altamente especializadas cuja função é fazer com que aquele tecido funcione como uma esponja quando chove, dispensando assim o enraizamento na terra, uma vez que a água passa a entrar na raiz directamente do céu. Caso haja uma seca perigosa, esta “esponja” dá lugar a uma parede estanque, que não deixa nem uma gotinha miserável escapar-se para o exterior.

Estas meninas servem-se dos fungos com a mesma habilidade com que se servem das árvores. A semente de uma orquídea é o que de mais simples e reduzido pode haver no reino vegetal, um mero embrião com meia dúzia de células muito pouco diferenciadas. Exactamente como acontece nos espermatozóides, as orquídeas fabricam estas sementes aos milhares para que duas ou três germinem. E é um fungo, que infecta a semente, que permite a sobrevivência desta, funcionando como uma ponte entre a flor e os nutrientes do solo, numa simbiose tão bem esgalhada que, no seu termo, quando a flor já está adulta e deixa de precisar de agentes infectantes para sobreviver, estes refilam. É na maturidade que a orquídea desenvolve aqueles dois grandes tubérculos redondos que dão o nome à família: orchis é o termo grego para testículo, daí que se tenham frequentemente atribuído às orquídeas misteriosos dons afrodisíacos.

Resta referir a exploração que as orquídeas fazem do trabalho dos insectos. Todas as orquídeas são hermofroditas, com ambos os sexos na mesma flor. No entanto, conscientes que estão dos perigos da consanguinidade, precisam da ajuda dos insectos para trocar pólens de vários tipos; e, tal como muitíssimas outras flores, fazem-se bonitas para que estes insectos as procurem e visitem. Nisto, são tão ardentes quanto despudoradas: coloridas, fantasiosas, desenvolveram até uma pétala especial , o labelo, pintalgada ou riscada, que, além de se ver à distância, funciona para o insecto como uma verdadeira pista de aterragem, com todos os sinais de navegação devidamente colocados. Sinais visuais, claro, resistentes ao nevoeiro e à miopia.

E agora, prestem atenção a isto: quando queremos perceber qual a posição relativa que cada espécie ocupa no quadro da evolução, desenhamos, em computador, os chamados “arbustos tridimensionais”. Nos animais, como toda gente sabe, no centro do arbusto encontramo-nos nós, o Homo sapiens. Ora, nas plantas, quem é que ocupará o lugar correspondente ao do Homo Sapiens? A Orchis sp, então quem é que havia de ser?

FACTOIDES: Sei Quem Sabe

Uma escola do Secundário organiza todos os anos questionários que envia a pessoas ligadas à área científica que os alunos estão a estudar. Aprendem-se imensos factoides. Reparem bem na série que me saiu a mim:

1 – O que é um gene?

Um gene é um segmento de DNA, devidamente enroscado ao longo do seu segmento específico no braço do devido cromossoma durante a divisão celular, que codifica a organização no citoplasma da proteína ou conjunto de proteínas a que dá origem – e, assim fazendo, codifica para o aparecimento das suas características especiais.

Estas características, passadas ao acaso de geração em geração, vão de coisas tão simples e patuscas como a cor dos olhos, as sardas, ou os caracóis no cabelo, a coisas tão complexas e dolorosas como o nanismo, a fibrose multicística, ou o cancro da mama.



2 – O que é o Projecto Genoma Humano?

O HUGO (HUman GenOme Project) é um projecto de investigação que começa a dar os primeiros passos do final da década de 80 do século XX, e que representa o investimento mais caro em Biologia que alguma vez se conheceu à escala mundial. Trata-se de montar uma técnica que nos permita decifrar, uma por uma, todas as sequências de genes que compõem o genoma humano, podendo depois esta técnica ser também aplicada noutros animais. O estudo concluiu-se já no século XXI. Ficámos a saber várias coisas interessantes. Por exemplo, agora sabe-se que, do ponto de vista biológico e científico, não há mesmo qualquer espécie de diferença entre as várias raças do género humano. Também tivemos que engolir o facto de agora sabermos que, geneticamente, não somos assim tão diferentes das moscas e dos vermes como isso.



3 – Qual é a precisão de um teste de ADN?

Absoluta.



4 – A partir de que amostras se pode realizar o teste de paternidade?

Supostamente, poderíamos realizá-lo através de toda e qualquer amostra de tecidos da criança e do pai, já que todas as nossas células têm rigorosamente a mesma informação dentro do seu núcleo – só diferem no tipo de genes que, a cada momento, têm activados ou desactivados. Regra geral, utiliza-se uma análise sanguínea devido à facilidade de obtenção e manipulação da amostra.



5 – Poderemos, no futuro, acabar com todas as doenças por manipulação genética?

Claro que não. Em primeiro lugar, o nosso organismo contrai, ao longo das nossas vidas, um número muito grande de doenças que são causadas pelo ambiente, e não por qualquer segredo da genética: é a picadela de um mosquito que causa a malária, assim como é o contacto do nosso sangue com o sangue de uma pessoa infectada que causa a SIDA. A genética não tem nada a ver com estas coisas, pelo que a engenharia genética não pode curá-las. A gripe comum é causada por um vírus: mesmo com vacina, como o vírus se adapta, acabamos sempre por apanhá-la. E, em segundo lugar, não podemos esquecer-nos de que a Natureza é um alvo em movimento: nós descobrimos como curar certas pragas, como a sífilis ou a tuberculose, e ela inventa uma praga nova, como a SIDA ou o vírus de Ebola.



6 – O ser humano evolui biologicamente?

Do ponto de vista evolutivo, o Homo sapiens não está propriamente a evoluir, ou seja, a dar sinais de vir a ramificar-se em três ou quatro espécies diferentes. A única coisa que faz é especializar-se: tende a ter cada vez mais habilidade para explorar os seus recursos e capacidades especiais (no caso dos humanos, o espantoso cérebro com lobo frontal e a consequente consciência), desleixando outras capacidades competitivas, como a velocidade, a dentição, ou a cobertura pilosa. Há vários casos de espécies que se especializam de tal forma que, evolutivamente, acabam por entrar num beco sem saída. Do ponto de vista da velocidade da luz, não fazemos a mínima ideia do destino que nos espera.



7 – Podemos vir a ser muito diferentes no futuro?

Não. Podemos vir a viver mais anos, a manter a aparência jovem até mais tarde, podemos ter melhor qualidade de vida ao mesmo tempo que nos tornamos mais indefesos e sensíveis perante oscilações ambientais vindas do exterior, até podemos perder mais uns pelos. Provavelmente, ficaremos mais altos. Mas não vamos ser assim tão diferentes do D. Afonso Henriques como isso.



8 – Quem foi Mendel?

Gregori Mendel foi um frade austríaco que viveu na segunda metade do século XIX, estudou durante décadas os padrões de reprodução das cores em gerações sucessivas de ervilhas-de-cheiro que mandava o jardineiro plantar nos jardins do convento, e fez tudo isto com tanto afinco que conseguiu apresentar ao mundo as duas grandes primeiras leis da hereditariedade: na primeira geração as características herdadas são metade da mãe e metade do pai, e na segunda geração tínhamos 25% da mãe, 25% do pai e 50% de mistura. Também foi ele o primeiro a perceber que esta informação hereditária estava guardada em segmentos precisos do cromossoma, a que nós hoje chamamos os genes e a que ele, na altura, chamou os factores.

11/10/2010

ENSAIO: Biodiversidade - Moluscos

2010, é o Ano Internacional da Biodiversidade, e tem servido não só para informar os cidadãos da necessidade de preservar o mundo vivo, como também têm sido debatidas as razões pelas quais o devemos fazer.
Olhemos para o caso dos Moluscos. O filo Mollusca é o segundo maior em número e variedade de espécies (precedido apenas pelo filo Arthropoda, onde se encontram crustáceos, insectos, aracnídeos, entre outros). Ao longo do processo evolutivo de milhões de anos tiveram a oportunidade de colonizar diversos locais. Os moluscos são animais de corpo mole e sem esqueleto que podem ser encontrados em terra ou na água – habitam em águas doces, salobras ou salgadas -, a grandes profundidades ou a elevadas altitudes, em pântanos, lagos, grutas, montanhas ou florestas. Podem apresentar uma concha externa, interna (revestida pelo manto), ou podem mesmo não ter concha. Exemplos de moluscos conhecidos são os quitons (poliplacóforos), lesmas-do-mar, conus, olivas, caracóis (gastrópodes), amêijoas, mexilhões, ostras (bivalves), lulas, polvos, chocos (cefalópodes).
Se os seres-humanos preservarem os animais deste filo, e se os consumirem de um modo sustentável, poderão continuar a usufruir deles no futuro. Estes animais têm tido ao longo da História uma importância relevante a vários níveis: a nível cultural os moluscos e as conchas podem ser encontrados na mitologia, arquitectura, e pintura; as pérolas, que resultam de um mecanismo de defesa natural dos bivalves, possuem um reconhecido prestígio a nível estético; as conchas podem ser utilizadas na construção de peças artísticas melhorando a economia de zonas costeiras; diferentes moluscos são usados na alimentação de vários povos; derivados destes animais podem ser usados na cosmética e até na biomedicina.
Eis várias razões por que é imprescindível a preservação dos moluscos, sendo que o mesmo poderia ser dito de outros grupos de animais e plantas. Torna-se assim importante proteger a biodiversidade que nos rodeia.

29/09/2010

ENSAIO: Animais fazem fotossíntese? - Parte I

Imaginem que se deparavam num exame com a seguinte questão: “Os animais fazem fotossíntese?”. A resposta parece simples. Ou será que não?

Na escola somos ensinados que a fotossíntese é um mecanismo exclusivo de plantas, algas e algumas bactérias; e, além disso, uma característica que separa os animais dos outros seres é o facto de não possuírem cloroplastos e não realizarem fotossíntese. Já agora, para compreender convenientemente o texto que se segue, convém relembrar que a fotossíntese é o meio pelo qual alguns seres-vivos obtêm o seu próprio alimento (sendo, por isso, designados de seres autotróficos), através da assimilação de dióxido de carbono e água, levando à produção de oxigénio e glicose. Para este processo, é essencial a existência de uns organelos que se encontram nas células vegetais, designados de cloroplastos, e que possuem um pigmento que é a clorofila, responsável pela coloração verde em plantas.

Como é habitual na natureza que nos rodeia, para toda a regra existe uma excepção, facto para o qual os cientistas estão preparados. O mundo aquático, em particular, é como que um baú repleto de brilhantes tesouros, os quais só conseguimos verdadeiramente admirar à medida que lhe prestamos atenção. Foi isto que aconteceu quando biólogos marinhos começaram a explorar o mar e a identificar a biodiversidade dos lagos, rios, mares e oceanos, de onde resultaram milhões de identificações de espécies, desde microalgas, passando por uma panóplia de microorganismos, crustáceos e outros artrópodes, moluscos, equinodermes, peixes, até aos mamíferos marinhos. Após a identificação torna-se necessário um estudo detalhado a vários níveis: anatómico, fisiológico, genético, ecológico, etc. Foi num destes estudos, que os cientistas voltaram a olhar com mais atenção para um grupo de moluscos, que nunca mais foi visto da mesma maneira. As lesmas-do-mar são pequenos moluscos, geralmente muito coloridos, e que têm sido alvo de vários estudos. Hoje pretendo abordar o estranho caso da lesma-do-mar fotossintética.

ENSAIO: Animais fazem fotossíntese? - Parte II

Ao olharem atentamente para uma lesma-do-mar verde, os cientistas, a certa altura, ter-se-ão questionado se elas poderiam realizar fotossíntese. Após alguns estudos, a hipótese foi validada, o que só trouxe ainda mais questões. Hoje sabe-se que estas lesmas-do-mar, que nascem sem cloroplastos, alimentam-se de algas, e que ao longo do sistema digestivo dá-se uma separação dos vários componentes do alimento, sendo que os cloroplastos são incorporados no tecido destes gastrópodes – daí a coloração verde. Ainda mais fantástico é que, deste modo, algumas destas espécies conseguem obter a energia necessária aguentando até 9 meses sem se alimentarem, através do processo fotossintético. Para isso, só precisam de luz, daí a designação “lesmas-do-mar movidas a energia solar” (solar-powered seaslugs). Não se trata de uma simbiose, mas de um roubo da maquinaria celular, daí chamar-se ao processo de cleptoplastia.

Uma equipa de cientistas portugueses encontra-se a estudar a espécie Elysia tímida, de modo a compreender até que ponto este mecanismo é eficiente. A resposta à questão foi, no mínimo, surpreendente: A eficiência da fotossíntese é superior no animal em estudo do que nas próprias algas que servem de alimento – de acordo com o estudo publicado no Journal of Experimental Marine Biology and Ecology, pelos investigadores Bruno Jesus, Patrícia Ventura e Gonçalo Calado.

Estes moluscos conseguem realizar fotossíntese como as algas, mas, sendo animais, conseguem deslocar-se para locais com maior luminosidade, e quando esta se encontra em excesso podem ir novamente para locais mais escuros, ou, mover os parápodes (prolongamento da pele) para regular a quantidade de luz e diminuir o processo de fotoinibição, factor limitante nas algas. “É como usar o melhor dos dois mundos”, explica o Dr. Jesus.

Respondendo à questão com que iniciei a primeira parte do texto, sim, há animais que podem realizar a fotossíntese, como é o caso de algumas lesmas-do-mar que utilizam os cloroplastos das algas das quais se alimentam, através do processo de cleptoplastia.

Estudo realizado por investigadores do Instituto Português de Malacologia (IPM) (http://www.ipmalac.org/) e Instituto de Oceanografia (http://co.fc.ul.pt/)

Fontes:
Artigo científico: aqui
Notícia no site da BBC - BBC - Earth

23/09/2010

CIDADE DO SOL: Coimbra - Capital da Ciência

Tendo viajado até Coimbra, no final de Agosto, em trabalho, aproveitei também para visitar a cidade de modo a conhecer o seu património cultural.

Sugiro que num fim-de-semana parta à descoberta desta cidade sozinho, com amigos ou com a família. Aconselho a levar a máquina fotográfica, um guia da cidade, uma mochila leve e sapatos adequados a caminhadas.

Coimbra tem o potencial de agradar a todas as pessoas, atendendo à diversidade de locais de interesse a visitar. Para quem gosta de História pode conhecer a evolução da cidade ao longo do tempo e pode encontrar referências à ocupação do território por diferentes povos, como por exemplo, o famoso arco Almedina. Pode ainda deslumbrar-se com as maravilhas arquitectónicas dos edifícios, das muralhas, das muitas igrejas e das faculdades, apreciando a estética que embarca diferentes períodos como a Idade Média, Renascimento e Idade Moderna. A sinalética é um óptimo complemento para a compreensão do que está a ser observado, pois identifica os locais e informa resumidamente sobre a história dos mesmos. Para quem gosta de Literatura pode sempre relembrar-se da “Questão Coimbrã” e passar pelas casas onde habitaram ilustres portugueses, como o Eça de Queirós, havendo referências, assinaladas pela cidade, a muitos outros. Para quem se interessa por Ciência, opções não faltam. Esta cidade tem as mais antigas faculdades do país e, actualmente, a Universidade de Coimbra encontra-se em segundo lugar no ranking das universidades portuguesas, de acordo com a prestigiada empresa QS (1). Para além dos trabalhos de pesquisa realizados nas faculdades, encontramos o centro de investigação IMAR-Coimbra. Do IMAR ao Museu Zoológico é só atravessar a estrada. Aqui podemos observar um riquíssimo espólio científico com colecções muito antigas, algumas com mais de cem anos, dedicadas à natureza e biodiversidade de Portugal e ex-colónias. Das várias salas enormes com diversos animais em exposição, resultado de um bom trabalho de taxidermia, saliento uma interessante sala dedicada ao património malacológico (2) em que predomina uma valiosa (do ponto de vista científico) colecção de conchas. Saliento também a existência de uma sala dedicada às relações ecológicas no mundo natural, as adaptações ao meio e a evolução das espécies, sendo portanto uma secção de importante valor educativo. Informo que esta exposição do Museu Zoológico será alterada brevemente, pelo que sugiro a sua visita (3). Não muito longe do Museu Zoológico podemos encontrar o Museu da Ciência, situado no antigo Laboratorio Chimico. Neste museu existem duas exposições: uma é dedicada à evolução das espécies, em que saliento uma breve, mas importante, contextualização histórica, e o trabalho desenvolvido na área da genética dos caracóis, pela Dra. Rolanda Albuquerque de Matos, dedicado ao estudo da variabilidade intraespecífica nos gastrópodes terrestres da espécie Helix aspersa; a outra exposição dá mais relevo às Ciências Físico-Químicas, com múltiplas experiências interactivas, associando a física à biologia para explicar a evolução dos olhos no mundo vivo, e apostando na História das Ciências.

São, portanto, várias as razões para conhecer Coimbra, cidade que apresenta excelentes resultados ao nível da divulgação cultural e científica.

Notas:
(1) – (ver o blog De Rerum Natura)
(2) – Malacologia – área da zoologia dedicada ao estudo dos moluscos. Em Portugal é representada pelo Instituto Português de Malacologia (IPM).
(3) – Penso que o Museu Zoológico esteja encerrado ao fim-de-semana.

21/08/2010

O APELO DA SELVA: Células sintéticas para quê?

O DESIGN INTELIGENTE?


AS primeiras notícias que recebemos diziam que um grupo de cientistas tinha conseguido fabricar um genoma que não existe na natureza e inseri-lo numa bactéria. No entanto, depois de bem escrutinizados os dados, vários cientistas insistem que não é claro se aquele genoma foi fabricado de raiz ou é apenas a cópia de outro genoma pré-existente –– ou seja, se o que se fez não passará de um mero acto de clonagem.

Para os que acreditam no genoma sintético criado em laboratório, o grande sonho é ver chegar o dia, ainda muito distante, em que poderemos sentar-nos e pensar que forma de vida precisamos de construir –– e depois desenhá-la e construí-la, como se faz com um carro ou uma ponte.

Embora os seus resultados ainda venham longe, a chamada biologia sintética já existe há umas boas décadas. Baseia-se na premissa de que, na maior parte dos casos, os organismos podem partir-se numa série de partes. A mais importante destas partes seria o gene, a sequência de informação no braço do cromossoma que contribui para a passagem de uma determinada mensagem para a célula. Os genes contêm instruções para se fazerem proteínas, e estas moléculas formam-se em diferentes tipos e tamanhos. É também dos genes que vem a informação sobre onde e quando estas proteínas devem ser utilizadas. As proteínas interagem umas com as outras, comandando várias das funções da célula.

Sabe-se, desde há muito tempo, que certos genes são essenciais: sem as proteínas que codificam, a célula não funciona. Mas muitos outros genes, em contrapartida, são opcionais: pelo menos no laboratório, o organismo dá-se muito bem sem eles.

É também importante sabermos que termos um ou dois genes “extra” de fabrico humano não costuma ser um problema. Já experimentámos inserir um gene novo, por uma grande variedade de razões, em organismos que vão da petúnia à cabra. Desde 1980, a insulina humana tem sido produzida em massa por células bacterianas geneticamente alteradas para o fazerem.

Até agora, já tínhamos conseguido remexer na Natureza para criar versões de genes e proteínas que não existem espontaneamente. A proteína fluorescente verde, por exemplo, é feita naturalmente pelas alforrecas. Os cientistas conseguiram alterar esse gene para que a proteína brilhe com mais força e possa ter outras cores. A fluorescência é já desde há muitas décadas um instrumento essencial em Biologia Celular e Molecular.

E, mais recentemente, apareceram os genomas construídos em laboratório. O primeiro que se fez, há oito anos, foi de um poliovirus –– ou seja, da estrutura de DNA mais simples do mundo vivo. Depois tornou-se possível fazer cópias sintéticas de genomas pré-existentes de bactérias. Agora, com estes novos resultados, parece que nos tornámos capazes de fabricar genomas bacterianos que nunca existiram na Natureza.

Mas as dificuldades neste campo continuam a ser muito grandes. Esta última publicação pode ter sido uma enorme proeza, mas é só um passinho de bebé em direcção à vida sintética, não é nenhum salto de gigante. A bactéria resultante quase não difere da bactéria que já existia. A única diferença é que o seu DNA tem algumas “marcas de água” (sequências especiais), que a identificam como tendo sido fabricada, em vez de resultar da evolução.

Um dos grandes problemas em criar vida no laboratório é que os sistemas biológicos evoluídos são complexos, e comportam-se muitas vezes de formas que ainda não conseguimos predizer. Podemos especificar a sequência de DNA que faz uma determinada proteína, mas nem sempre conseguimos prever com que é que vai parecer-se a proteína ou como irá interagir com as outras proteínas da célula. E, de qualquer maneira, na maior parte dos casos, os sistemas biológicos não são todos iguais uns aos outros: é verdade que nos tornámos bons a produzir DNA, já sabemos copiar genomas, alterá-los ligeiramente –– mas ainda estamos muito longe de conseguir construir um genoma a partir do nada.

Embora não consigamos expressar-nos fluentemente na linguagem genética da Natureza, não deixa de existir a possibilidade excitante de um dia escrevermos a nossa. Começámos pela engenharia de proteínas que não ocorrem normalmente no mundo vivo, e estamos a começar a construir moléculas que se parecem com o DNA na sua capacidade de acumular informação, mas que pode ser lido de forma diferente pela maquinaria da célula. Isto deve permitir-nos construir uma “segunda natureza”: um grupo de organismos que usam uma linguagem diferente, e que não podem interagir facilmente com as formas de vida que evoluíram na Natureza.

Note-se que o processo de inventar uma nova linguagem genética permite-nos perceber melhor aquela que já evoluiu. E isto já começou. As primeiras tentativas de criar DNA alternativo revelou rapidamente que cada “corrimão” da dupla hélix é muito mais fundamental para a forma como a célula trabalha do que tudo o que pudéssemos ter imaginado antes.

Claro que há muitas formas em que poderemos utilizar organismos feitos por design, umas boas e outras mais. Mas o que é realmente importante é que, ao tentarmos criar vida artificial, aprendemos cada vez mais sobre que a vida que foi evoluindo desde o princípio dos tempos.

O APELO DA SELVA: Morte aos feios!

A EUGENIA TEM RAÍZES PROFUNDAS
O inglês Francis Galton cunhou a palavra "eugenia" a partir do grego "eugenés", ou seja, "bem nascido". Portanto, esticando um bocado a corda, foi fácil declarar que a Eugenia, oficialmente criada na Grã-Bretanha em 1883, já era uma ideia corrente na Antiguidade Clássica. Sempre era mais bonita. Os Gregos já tinham por prática envidar esforços no sentido de ir diminuindo os números dos menos equipados para o funcionamento da sociedade. Os primeiros eugenistas britânicos gostavam de repetir esta memória, evitando até o esclarecimento de que por menor capacidade de integração na sociedade se aplicava fosse por tolice ou por aleijão. Dizer isto causava menos desconforto, e era francamente menos chocante, do que a noção subjacente à eugenia de que, já que se nem todos os indivíduos são dotados das melhores qualidades físicas e mentais, nem todos podem ter o direito a reproduzir-se.


A ideia pode ter conhecido variações mais ou menos interessantes, mas a eugenia tal como a conhecemos hoje ganhou os seus primeiros contornos no início do século XIX, nomeadamente com o trabalho de Thomas Malthus. Os seus estudos sobre as “leis” da inevitabilidade biológica da sobrepopulação assombraram sobretudo a alta finança europeia, que ouviu o estatístico inglês com muita atenção. Malthus fez notar que não era de forma nenhuma impossível que, com cruzamentos selectivos “pode ocorrer entre os homens, por métodos idênticos aos praticados nos animais, um certo grau de melhoramento”. Mas acrescentou, muito claramente, “como a raça humana não pode ser atingida por esta via, a menos que condenemos todos os maus espécimes ao celibato, não é provável que se generalize a atenção ao cruzamento selectivo”.

Claro que, ao fazer a afirmação pela negativa, Malthus estava, na realidade, a estimular os seus colegas a atacarem-na pela positiva. E não foram poucos os que lhe responderam ao repto.

Por exemplo, em 1850 o cientista francês Prosper Lucas escreveu um dos tratados sobre hereditariedade mais lidos e circulados do período. O tratado continha as árvores genealógicas das características morais e mentais de criminosos condenados, com um pedido veemente endereçado ao governo francês para que impedisse a continuação da propagação destas linhagens, para que, desta forma, a criminalidade fosse desaparecendo de geração para geração e a sociedade francesa melhorasse substancialmente.

Depois de Mendel e Malthus, seria Darwin o cientista a contribuir de seguida para o estabelecimento da eugenia. O pai da eugenia, o cientista, viajante, geógrafo e estatístico Francis Galton, começou a publicar ensaios sobre a hereditariedade humana e as políticas sociais em 1865, pouco depois de ter lido A Origem das Espécies. A evolução deu a Galton as ideias que faltavam para formar o núcleo duro da eugenia: o significado das variações hereditárias nos cruzamentos domésticos, a sobrevivência do mais apto na luta pela vida, a analogia entre os cruzamentos domésticos e a selecção natural. Estas ideias foram desenvolvidas substancialmente no livro Hereditary Genius, de 1869, que é considerado, ainda hoje, como o texto fundador da eugenia.



Embora muitos cientistas europeus de grande nível, como o próprio Darwin, se sentissem atraídos pelo conceito de controlar a hereditariedade humana no sentido de melhorar as suas populações, a verdade é que, até ao fim do século XIX, a repugnância moral e política pela interferência na reprodução humana continuaram a impedir que os argumentos eugénicos se transformassem em acções. Basicamente, os seguidores de Galton defendiam que, à medida que evoluía, a sociedade se tornava cada vez mais capaz de proteger os seus membros mais frágeis e menos capazes de adaptação –– mas essa mesma sociedade poderia melhorar muito mais rapidamente se, ao mesmo tempo, se tomassem medidas expeditivas para que esses mesmos desadaptados não deixassem descendência, por forma a irem sendo eliminados geneticamente. No entanto, de início nenhum país europeu quis enveredar por este tipo de políticas.

As atitudes sociais só começaram a mudar no final do século XIX, quando as consequências mais perniciosas da revolução industrial deram lugar a uma atmosfera generalizada de pessimismo que fez com que, em vez de evolução, se passasse a falar em degeneração. O crime, os vícios, a entrada das mulheres para o mercado de trabalho, a imigração, a vida em ambientes maioritariamente urbanos, eram geralmente acusados da sua ocorrência. A crença generalizada de que as "doenças dos pobres", como a tuberculose, a síflis, o alcoolismo e os problemas mentais, eram hereditárias, tornava a perspectiva ainda mais alarmante e começou a levar a apelos para que não se perpetuasse a cadeia de "multiplicação rápida dos inadaptados". Galton insistia que a sociedade estava a sustentar mais do que podia e ou começava a aplicar sistematicamente a selecção dos seus melhores espécimes para reprodução em cada geração, fazendo em poucas gerações o que a selecção natural faz em milénios, ou acabaria completamente degenerada.

Na última década do século XIX, o biólogo austríaco August Weissman anuncia, pela primeira vez, que o material genético contido do núcleo é "imortal" (no sentido em que se transmite de geração em geração sem nunca se alterar, ao longo de toda uma linhagem), e que é ele que assegura a transmissão dos caracteres hereditários, em total independência dos restantes acontecimentos celulares. Isto, obviamente, é música para os ouvidos de quem defende teorias de engenharia social segundo as quais os "inadaptados" não devem reproduzir-se: se a mensagem hereditária é imortal e não há nada que possa alterá-la, então, logicamente, um inadaptado só poderá dar origem a mais inadaptados.

É sempre difícil dizermos se cientistas como Francis Galton são neutros em relação ao material científico que produzem e é a sociedade que se apropria dos seus dados para legitimar políticas moralmente complexas, ou se os próprios cientistas já tinham, à partida, essas mesmas ideias, e apenas procuraram dar-lhes uma qualquer forma de validação científica. O que é certo é que, depois de Weissman e do aproveitamento que Galton fez da sua teoria da imortalidade da linhagem germinal, começou a ser vulgar encontrarmos nas publicações científicas passagens como esta, de Karl Pearson, o primeiro Professor de Eugenia da London University: "Nenhum conjunto de espécimes degenerado e pobre de espírito poderá alguma vez dar a origem a populações saudáveis e produtivas pelos efeitos acumulados de boa educação, boa legislação, e boas condições sanitárias. Gastámos o nosso dinheiro no ambiente onde afinal é a hereditariedade quem ganha". Embora os eugenistas tenham sido sempre uma minoria, e tenham encontrado resistência sobretudo nos países em que a tradição dos sistemas nacionais de saúde já se encontrava bem desenvolvida e enraizada, despertavam suficiente curiosidade e eram suficientemente sedutores para constituírem sociedades em numerosos países, e ocuparem novas cátedras em numerosas universidades. Em 1930, o eugenista inglês Wicksteed Armstrong não hesitou em escrever no seu livro The Survival of the Unfittest: "Para diminuir a fertilidade perigosa dos inadaptados há três métodos: a câmara letal, a segregação e a esterilização".

É preciso ver que nem todas as propostas dos eugenistas chegavam a estes extremas, e nem todas vinham da extrema-direita ou se destinavam a purificações raciais de cariz proto-nazi. Na Dinamarca, entre 1930 e 1949, esterilizaram-se mais de 8.500 pessoas na tentativa de erradicar anormalidades sexuais e físicas, ao abrigo de uma lei de 1929 que, nas palavras do médico dinamarquês Tage Kemp, visava permitir à sociedade "tornar as condições de vida toleráveis para todos". Na Suécia, onde o Estado criou em 1921 o Instituto para a Biologia da Raça em associação com a Universidade de Upsala, pelo menos 15.000 doentes mentais foram esterilizados por razões de eugenia ao abrigo de uma lei aprovada em 1934, destinada a "proteger os indivíduos do sofrimento individual causado pela hereditariedade".

Mas o país de políticas eugénicas mais activas antes de 1930 foi de longe os Estados Unidos. Em 1920, 24 estados já tinham aprovado leis de esterilização, aplicadas sobretudo aos pobres (e negros) trancados em instituições psiquiátricas. No total, cerca de 70.000 pessoas foram esterilizadas nos EUA entre 1909 e 1930.

É verdade que estas políticas caíram totalmente em desuso no Ocidente depois do pesadelo Nazi –– mas quantos não se sentem tentados a aplicados, e quantos não voltam a levantar a voz em defesa da sua aplicação?

10/08/2010

BIOGRAFIA: Carlos Almaça (1934-2010)


Já neste espaço se falou da importância que tem nos estudos presentes o conhecimento do passado relativo aos sucessos científicos. Carlos Almaça, importante biólogo e investigador português, não deixou de explorar o passado, para que se não esquecessem os factos que conduziram os trabalhos científicos até onde actualmente se encontram. É deste professor universitário, antigo director do Museu Bocage e falecido no passado dia 3 de Agosto, que vamos falar brevemente. Carlos Alberto da Silva Almaça nasceu em Lisboa a 29 de Dezembro de 1934. Em Outubro de 1957, quase a fazer 23 anos, licenciou-se na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa em Ciências Biológicas. Na mesma instituição, concluiu o doutoramento em Março de 1968, com a tese Estudo das Populações Portuguesas do Gén. Barbus Cuvier, 1817 (Pisces, Cyprinidae). Exercendo a docência na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, pôde também dedicar-se à investigação por meio das bolsas de estudo de que beneficiou. Além de se ter dedicado à Zoologia e aos estudos evolutivos de várias espécies, Carlos Almaça deixou importantes contributos para a História da Ciência e das ideias em Biologia. Teve ainda durante 20 anos o cargo de director do Museu Bocage, departamento de Zoologia do Museu de História Natural de Lisboa. Diz Maria Amélia Martins Loução, vice-presidente da Universidade de Lisboa: “Constituiu os primeiros gabinetes de história natural e foi ele quem começou a coleccionar documentos sobre fauna e flora relacionados com o pensamento filosófico dos séculos XVII e XVIII”. Como docente e investigador, Carlos Almaça, que estudou sempre e persistentemente, apoiou muitos dos seus alunos, sendo em parte responsável pelo caminho profissional que alguns tomaram. Da sua obra, destacamos alguns volumes:

Contribuição para o Estudo da Zonação Marinha do Litoral Português, 1960
Variabilidade de Alguns Caracteres Usados na Taxonomia do Gén. Carcinus Leach, 1961
Sur les Crabes du Genre Xanto Leach, 1815, du Muséum Zoologique de l’Université de Coimbra, 1963
Contribution à la Connaissance des poissons des eaux intérieurs du Portugal, 1965
As Classificações Zoológicas. Aspectos Históricos, 1991
Evolutionism in Portugal, 1993
Bosquejo Histórico da Zoologia em Portugal, 1993
Evolutionism and Mendelism, 1994
Fish species and varieties introduced into Portuguese inland waters, 1995
"Falconers: the first Portuguese naturalists", in Archives of Natural History, 24, pp. 175-187, 1997
O Homem Medieval e a Biodiversidade, 2000


Fontes:

Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, Lisboa - Rio de Janeiro, Editorial Enciclopédia Limitada, vol. 1 (Actualização), p.236, s.v. "Almaça (Carlos Alberto da Silva)";

Diário de Notícias, Ano 146º, nº 51620, p.53 [6 de Agosto de 2010].
(Daqui vieram quer a imagem, quer a citação que temos no texto.)

01/07/2010

A VER: Ilustrações de aves na Histoire Naturelle de Buffon

Georges Louis Leclerc de Buffon (1707-1788), naturalista francês, fez publicar a obra Histoire Naturelle de 1749 até 1804, mais de dez anos após a sua morte. Tinha aquela 44 volumes e gozou de assinalável popularidade no seu tempo. Por considerar as espécies susceptíveis de variação, é tido como um dos precursores de Charles Darwin. Foi botânico e zoólogo, mas os seus estudos sobre os povos da Terra, fazem-no igualmente um dos criadores da Etnologia moderna. Na imagem: à esquerda, araras e papagaio; à direita, calaus.
Fontes:
Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, vol.5, Lisboa - Rio de Janeiro, Editorial Enciclopédia Limitada, s.d., p.176, s.v. "Buffon (Georges Louis Leclerc, conde de)"; The New Caxton Encyclopedia, vol.3, London, The Caxton Publishing Company, 1973, p.896, s.v. "Buffon, Georges Louis Leclerc de" [daqui veio a imagem].

21/05/2010

PARA SEMPRE: Aulo Gélio

"Consistiam [as cerimónias do noivado romano no tempo do Império] numa promessa recíproca entre os noivos com o consentimento dos respectivos pais e perante certo número de parentes e amigos (...). Concretizava-se esta promessa na entrega pelo noivo à noiva de presentes mais ou menos onerosos e de um anel simbólico (...) em certos casos de ferro dourado, noutros de oiro como as nossas alianças. A noiva tinha o cuidado de o meter imediatamente no dedo em que ainda hoje habitualmente se usam as nossas alianças, ou seja, «o dedo vizinho do dedo mínimo da esquerda», a que nós chamamos por isso mesmo o «anular» palavra derivada do baixo latim (annularius). Esquecemos já a razaão pela qual os Romanos escolheram para o efeito este dedo, mas Aulo Gélio [autor latino do século II d. C.] explica-no-la com um laborioso rodeio: «Quando se abre o corpo humano, como fazem os Egípcios, (...) encontra-se um nervo muito fino que parte do anular e chega ao coração. Julga-se conveniente conceder a honra do anel a este dedo, de preferência a outro, por causa da estreita conexão, da espécie de laço que o une ao órgão principal». Com esta relação directa estabelecida em nome de uma ciência imaginária entre o coração e o anel de noivado Aulo Gélio quis evidentemente sublinhar a seriedade com que se encarava o noivado, a solenidade do compromisso que ele consagrava, e principalmente a profundeza do sentimento de recíproca afeição que lhe atribuíam os contemporâneos (...)."
Jérôme Carcopino, A Vida Quotidina em Roma no Apogeu do Império, Lisboa, Livros do Brasil, s.d., pp.106-107.

28/03/2010

O APELO DA SELVA: Loja Gourmet

SOBRE A DEGUSTAÇÃO DAS LÍNGUAS

A predilecção do gosto humano pelo sabor e a textura das línguas de certos animais, muitas vezes pondo em risco de extinção a espécie com uma língua que agrada especialmente às populações que lhe têm acesso, vem dos confins da Antiguidade conhecida e chega praticamente aos nossos dias. Um bom exemplo, que só conheceu as primeiras medidas de travão a partir de meados do século XX, foi a quase extinção do símbolo das grandes pradarias do Oeste, o bisonte americano.

Sabe-se alguma coisa a brutalidade deste fenómeno, mas os seus passos mais íntimos são poucos conhecidos. Muita gente, por exemplo, sabe que os bisontes eram tão abundantes e pastavam tão perto da linha que, nos primeiros tempos do caminho de ferro, a gerência tinha a cortesia de emprestar uma carabina a cada passageiro, homem ou mulher, para eles se distraírem a disparar sobre estes alvos imponentes durante as longas horas da viagem. Mas pouca gente sabe da carnificina que acompanhou a expansão das linhas férreas. O famoso Buffalo Bill, inicialmente chacinador dos índios e no fim da vida dono de um circo onde se mostrava como isso se fazia e incluía personagens tão carismáticos como a própria Calamity Jane, desempenhou um papel impressionante em reduzir a população inicial de cerca de 60 milhões de bisontes até aos limites da ameaça de extinção. Em 1867, munido de um contrato para providenciar alimento substancial para as equipas de construção e condução das linhas do caminho de ferro, Bill e os seus homens mataram 4280 animais num período de apenas oito meses. Mas neste caso, ao menos, ainda podemos ter a consolação de que toda a carne foi aproveitada como elemento nutritivo. No mesmo período, outros caçadores houve que abateram centenas de bisontes sem qualquer espécie de escrúpulo, e deixaram as carcaças a apodrecer na padraria, para lhes retirarem apenas a língua –– porque a língua do bisonte era considerada um petisco incomparável em muitas áreas da região. Quando se começou a pensar na preservação dos bisontes, restavam tão poucos que tiveram que ser criteriosamente trancados em reservas.

O registo mais copioso que temos de consumo de línguas em grande profusão vem-nos do tempo das orgias romanas –– e da conhecida curiosidade dos romanos em experimentar gastronomicamente, das formas mais estranhas e elaboradas, tudo o que viesse das novas paragens da terra cognita. Nestes casos, a língua de eleição era a do flamingo.

Temos um registo interessante de um filósofo indignado do período do imperador adolescente e licencioso Heliogabalus. Em rimas precisas de métrica impecável, o filósofo descreve banquetes em que se serviram pratos enormes cobertos de cones de línguas de flamingo. Mais tarde, o historiador Suetonius conta-nos que o imperador Vitellius serviu uma confecção gigante chamada O Escudo de Minerva, feita de fígados de peixe-galo, miolos de faisão e papagaio, intestinos de lampreia, e línguas de flamingo, todos trazidos de mares distantes. A ideia destes pássaros belíssimos serem chacinados unicamente pela língua inspirou poetas e filósofos durante toda a duração do Império Romano, o que nos mostra que a degustação destas línguas foi extremamente abundante.

A maior parte das aves tem línguas finas e pontiagudas, totalmente contra-indicadas para manjares de imperadores e altos dignitários, mesmo se recolhidas em grande quantidade. O que se passa, então, com a língua do flamingo, para se ter tornado tão popular na Roma Antiga?

Os flamingos desenvolveram um modo extremamente complexo de alimentação, único entre as aves e muito raro entre todos os outros Vertebrados. Os seus bicos estão forrados com fileiras numerosas e complicadas de cornos lamelares, verdadeiros filtros, que actuam exactamente como as placas fibrosas das baleias gigantes. Incorrectamente, a ideia que fazemos dos flamingos é a de habitantes indolentes dos mares ou lagoas das ilhas tropicais luxuriantes, uma beleza que podemos contemplar da varanda do nosso hotel enquanto bebemos uma caipirinha ao por do sol –– e nada podia coincidir menos com a verdade. Na realidade, os flamingos exploram um dos habitats mais duros da Terra: os lagos hipersalinos de pouca profundidade. Hà muito poucas criaturas que aguentem a estranheza de condições destes desertos salinos. Mas aquelas que conseguem podem constituir populações enormes, porque não têm competição nem têm predadores. A estratégia de alimentação por filtragem permite aos flamingos o acesso a uma grande quantidade de presas, que apenas precisam de ser uniformes no seu tamanho. Os maiores flamingos de todos, por exemplo, filtram moluscos e crustáceos pequenos, e larvas de insectos. Mas os flamingos mais pequenos de todos têm filtros tão densos e elaborados que conseguem segregar células de algas azuis e diatomáceas com diâmetros de 0.02 a 0.1 mm.

E é depois deste processo que a famosa língua entra em acção.

Os flamingos podem limitar-se a ingerir o alimento filtrado passivamente, abanando a cabeça para a frente e para trás. Mas o sistema mais eficiente é, sem sombra de dúvida, o uso da língua.

A língua é larga e bem musculada, e funciona como uma bomba. Enche rapidamente um canal grande na porção posterior do bico. Move-se rapidamente para a frente e para trás, cerca de quatro vezes por segundo, sorvendo a água para o canal na inspiração e expelindo-a já sem alimento na expiração. Para ajudar ao processo, a superfície da língua possui vários dentículos que arrancam dos filtros a comida filtrada.

Estão a ver do que é que os romanos gostavam? Gostavam, a bem dizer, de um bom bife sem qualquer gordura e sabor a mar. Como as orgias se passavam em ambientes limitados, as populações de flamingos não chegaram a estar em risco por causa disso. Mas é bom que se note que esta língua é uma pérola complicadíssima da evolução, um daqueles exemplos complexos de livro de texto em que os defensores da biologia evolutiva se apoiam sempre que é preciso demonstrar que a evolução e a selecção natural existem mesmo. E esse magno mistério, esse sim –– os romanos estavam a engoli-lo sem desconfiar de nada.

O APELO DA SELVA: Canibalismo Sexual

CAÇADORAS DE CABEÇAS
Toda a gente conhece a história da terrível fêmea louva-a-deus que come a cabeça do macho depois da cópula. Agora, é preciso ver que, como acontece com frequência nestes casos espampanantes, história está muito mal contada –– e, claro, faltam-lhe várias pinceladas científicas para a compreendermos bem.
As primeiras suspeitas sobre estes erros tentadores apareceram no início dos anos 90, com a capacidade de introduzir boas câmaras de vídeo no habitat dos animais sem os perturbar minimamente. Seguindo este processo, alguns obvservadores anunciaram que, no seu estado natural, a fêmea copulava tranquilamente com o macho e não lhe comia a cabeça a seguir –– seria antes o stress de estar em laboratório, as luzes, o ruído, as pessoas à sua volta, que a levariam a fazer isso. Estudos posteriores revelaram que isto, de facto (a cópula sem ingestão da cabeça) pode acontecer por vezes natureza. Mas também ocorriam várias outras modalidades da prática do agora chamado canibalismo sexual, uma forma tão aceitável como qualquer outra de garantir a primazia na passagem de genes à progenia. E mais se verificou que estes fenómenos não se passavam só com a famigerada louva-a-deus.

Só restaram as asas
Para introdução à estranheza do comportamento destes animais, comecemos por uma descrição de 1886 escrita pelo naturalista L.O.Howard:
“Há alguns dias, levei um macho de Mantis carolina a um amigo que tinha em casa uma fêmea dentro de em frasco grande como animal de estimação. Assim que o pusemos dentro do mesmo jarro, o macho, alarmado, começou a tentar fugir. Em poucos minutos, a fêmea agarrou-o. Começou por comer o seu tarso frontal esquerdo, e a seguir consumiu a tíbia e o fémur. Depois atirou-se ao seu olho esquerdo. Nesta altura o macho pareceu dar-se conta de estar perto de uma fêmea da sua espécie, e começou a fazer manobras sem sucesso para copular. A fêmea engoliu o seu olho direito, e a seguir acabou por decapitá-lo inteiramente, matisgando-lhe a cabeça e mordendo-lhe o tórax. Enquanto tudo isto durava, o macho continuava com as suas tentativas de acopulamento, e finalmente conseguiu quando ela abriu voluntariamente as suas partes, e a união teve lugar. Depois ela ficou quieta durante quatro horas, e os restos do macho deram sinais ocasionais vida pelo movimento do tarso que restava durante 3 horas. Na manhã seguinte a fêmea tinha consumido tudo o que sobrava do seu amante, e só as asas ficaram.”

A importância de perder a cabeça
Esta passagem tem, para lá do seu valor documental e romanesco, o valor de nos demonstrar aquilo que raramente nos ocorreria de forma espontânea: que alguns animais, tendo perdido a cabeça, desempenham certas tarefas muito melhor do que se a tivessem no sítio.
E isto porquê? As respostas variam de caso para caso –– a galinha de cabeça cortada tem os seus motivos próprios para correr –– mas, no caso da louva a deus, o caso da activação sexual dos machos decapitados está bem estudado.
O comportamento dos insectos tem uma neurofisiologia extremamente mecânica, completamente diferente da flexibilidade da nossa. Os movimentos copulatórios da louva-a-deus são controlados por nervos do último gânglio abdominal, junto ao fundo das costas. Como seria contra-producente para a vida quotidiana os machos estarem a executar permanentemente esses movimentos, eles são suprimidos por centros inibitórios localizados no gânglio subfágico (junto à cabeça). Sendo assim, quando a fêmea engole a cabeça do macho, engole com ela o gânglio subfágico e lá se vai a inibição do movimento copulatório –– o macho, literalmente, já não faz outra coisa até morrer.
Do ponto de vista evolutivo, todo este comportamento continua a ser estranho: não deveria o macho sobreviver, por forma a copular mais vezes e legar mais genes à progenia? O que é curioso é que, em todos os machos que só copulam uma vez, o desenho dos testículos é ligeiro, o aparelho intestinal está pouco definido, exactamente porque são destinados a uma vida curta, onde desempenham uma única função. É no sentido dessa missão que todos os esforços se orientam—incluindo o comportamento do macho, que, não vivendo mais, deixa mais recursos à progenia. O canibalismo sexual é raro, e menos comum do outras variadades de consumo entre familiares, tais irmãos que comem os irmãos ou mães que comem a ninhada. Só há casos documentados entre o grupo a que pertencem os insectos, tal como a louva-a-deus e o escorpião, e também algumas aranhas.

A aproximação perigosa
A fêmea do louva-a-deus é uma caçadora feroz e muito activa, bastante maior que o macho, como acontece com todos os insectos. Sendo assim, o macho da louva-a-deus, como qualquer insecto mais pequeno que a fêmea, transforma-se em presa logo que aparece à vista.
É por isso que os machos da louva a deus são tão cuidadosos na sua aproximação à fêmea. Chegam-se sempre por trás, cautelosamente, e, se a fêmea virar os olhos na sua direcção, congelam imediatamente o movimento –– as louva a deus não conseguem ver nada que não esteja em movimento. Os machos podem ficar congelados em posições bastante curiosas durante muito tempo, e recomeçar a avançar sempre que a fêmea vira os olhos. No final da aproximação, vem o salto para infinito: ou o macho passa os seus genes à progenia, ou, alternativamente, serve apenas de jantar. Os que conseguem à primeira, por vezes fogem assim que atingem o seu objectivo. Mas, outras vezes, deixam-se estar sossegados, sem grande pressa de escapar ao seu destino fatal. E a verdade é que, em muitos destes casos, as fêmeas os deixam em paz. Provavelmente já estavam saciadas antes. Acontece exactamente o mesmo entre as aranhas, onde o macho pode deixar-se ficar languidamente a descansar na teia até morrer de subnutrição sem que a fêmea volte a dar-lhe a mais pequena atenção. Estes casos são muito mais raros entre os escorpiões, se bem que existam registos deles –– mas temos que lembrar-nos que os escorpiões tendem a viver em áreas pedregosas e desérticas, onde o acesso à proteína é bastante mais difícil.

23/02/2010

PARA SEMPRE: Eça de Queiroz

"E pensarmos nós, caro Chagas, que enquanto você está aí ocupado a compor no "Atlântico" uma formidável equação algébrica, para provar (Deus me perdoe!) não sei que coisas sinistras sobre as Molucas; enquanto eu estou aqui abandonado a este palrar indiscreto - o grande Darwin publica o seu livro do "Movimento das Plantas", o professor Huxley lança o seu grande manifesto da "Educação Científica contra a Educação Clássica", Zola dá-nos o seu prodigioso trabalho sobre "Gustavo Flaubert", tantos outros trabalham e criam, e o Génio do século forja, com um ruído sublime, na sua bigorna de bronze e ouro, as ideias e as palavras que ficam. E nós aqui a escrevinharmos não sei que coisinhas minúsculas, que, apenas rabeiam um momento sobre o papel, são logo pó imperceptível!..." [a propósito de um artigo de Eça de Queiroz sobre Portugal, que Pinheiro Chagas disse ter insultado o País]
Eça de Queiroz, Notas Contemporâneas, Lisboa, Livros do Brasil, 2000, pp.60-61 [primeira edição em 1909, póstuma].

A VER: O Botânico da primeira metade do século XIX



Fonte: Marcia Willis, Jungle, Rivers and Mountain Peaks, London, Aldus Books Limited, 1973, p.110.

AGENDA: Identificação de Aves

A Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA), está a organizar um Curso de Identificação de Aves Marinhas, a realizar-se em Peniche e Cabo Carvoeiro, nos dia 2, 3 e 4 de Abril.

Mais informações sobre esta iniciativa e a Associação em: http://www.spea.pt/

AGENDA: Cursos LPN

A Liga para a Protecção da Natureza (LPN) no próximo mês de Março três cursos de formação ambiental.

1-Protecção de solos (em colaboração com a Sociedade Portuguesa da Ciência do Solo), terá lugar em Lisboa, de 1 a 6 de Março. 2ª a 6ª feira das 18h-21h e Sábado, das 9h às 16h30.

2- Educação Ambiental II: Sustentabilidade nas cidades, no consumo e nos resíduos. Terá lugar em Lisboa, de 12 a 14 de Março. 6ª feira, das 18h-21h; Sábado, das 9h às 18h30; Domingo, das 9h às 13h.

3- Avaliação de Impacte Ambiental. Lisboa, de 15 a 19 de Março. 2ª a 6ª feira, das 18h às 22h.

Mais informações no site da LPN - Formação:
www.projectos.lpn.pt/formacao