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01/03/2011

PARA SEMPRE: O Mundo Zoológico, de acordo com Gilliatt

"[Gilliatt] era um pensativo. Nada mais. Observava a natureza d'uma maneira um pouco extravagante. Tinha-lhe succedido, por diversas vezes, encontrar na agua do mar, perfeitamente limpida, animaes desconhecidos, um tanto volumosos, de fórmas diversas, pertencentes á especie medusa, os quaes, tirados do liquido, se assimilhavam a vidro coalhado, e immersos de novo, por serem identicos em diaphaneidade e em côr, confundiam-se com o ambiente, a ponto de não se differençarem ambos. Concluia elle d'isto que, se na agua habitavam transparencias vivas, era natural suppor que a atmosphera estivesse povoada d'outras tantas transparencias, egualmente com vida. As aves não são os habitantes do ar, são apenas os seus amphibios. Gilliatt não acreditava que o ar estivesse deserto. Dizia elle: se o mar está repleto, porque é que ha de estar vasio este espaço? Devia haver creaturas côr do ar, que, entranhando-se na luz, desapparecessem á nossa vista. Quem póde provar que não existem estas creaturas? Mesmo por analogia, é possivel que o ar tenha os seus peixes, da mesma forma que o mar. E se os tem, devem estes peixes do ar ser proporcionalmente diaphanos; beneficio da providencia creadora, tanto para nós como para elles; para nós, porque nos não turbam a claridade, para elles, porque não nol-a turbando, não são vistos, e, portanto, não podem ser agarrados. Imaginava Gilliatt que, se podessemos exgotar de atmosphera a terra, e pescar no ar, como podemos fazer em qualquer lagoa, haviamos de descobrir alli uma infinita quantidade de assombrosos entes. E, então, accrescentava elle, no meio das suas reflexões, muitas coisas ficariam explicadas."
Victor Hugo, Os Homens do Mar, Lisboa, Empreza da Historia de Portugal, 1901, pp. 42-43.

11/11/2010

PARA SEMPRE: Bernardo de Chartres

"Não passamos de anões empoleirados nos ombros dos nossos predecessores. A nossa estatura não é mais elevada do que a deles, nem a nossa visão das coisas mais esclarecida; aqueles que nos antecederam é que nos elevam com a sua gigantesca estatura, de tal modo que vemos melhor e mais longe do que eles."
Bernardo de Chartres
cit. em Léo Moulin,
A Vida Quotidiana dos Estudantes na Idade Média,
Lisboa, Livros do Brasil, 1994, p.13.

21/05/2010

PARA SEMPRE: Aulo Gélio

"Consistiam [as cerimónias do noivado romano no tempo do Império] numa promessa recíproca entre os noivos com o consentimento dos respectivos pais e perante certo número de parentes e amigos (...). Concretizava-se esta promessa na entrega pelo noivo à noiva de presentes mais ou menos onerosos e de um anel simbólico (...) em certos casos de ferro dourado, noutros de oiro como as nossas alianças. A noiva tinha o cuidado de o meter imediatamente no dedo em que ainda hoje habitualmente se usam as nossas alianças, ou seja, «o dedo vizinho do dedo mínimo da esquerda», a que nós chamamos por isso mesmo o «anular» palavra derivada do baixo latim (annularius). Esquecemos já a razaão pela qual os Romanos escolheram para o efeito este dedo, mas Aulo Gélio [autor latino do século II d. C.] explica-no-la com um laborioso rodeio: «Quando se abre o corpo humano, como fazem os Egípcios, (...) encontra-se um nervo muito fino que parte do anular e chega ao coração. Julga-se conveniente conceder a honra do anel a este dedo, de preferência a outro, por causa da estreita conexão, da espécie de laço que o une ao órgão principal». Com esta relação directa estabelecida em nome de uma ciência imaginária entre o coração e o anel de noivado Aulo Gélio quis evidentemente sublinhar a seriedade com que se encarava o noivado, a solenidade do compromisso que ele consagrava, e principalmente a profundeza do sentimento de recíproca afeição que lhe atribuíam os contemporâneos (...)."
Jérôme Carcopino, A Vida Quotidina em Roma no Apogeu do Império, Lisboa, Livros do Brasil, s.d., pp.106-107.

23/02/2010

PARA SEMPRE: Eça de Queiroz

"E pensarmos nós, caro Chagas, que enquanto você está aí ocupado a compor no "Atlântico" uma formidável equação algébrica, para provar (Deus me perdoe!) não sei que coisas sinistras sobre as Molucas; enquanto eu estou aqui abandonado a este palrar indiscreto - o grande Darwin publica o seu livro do "Movimento das Plantas", o professor Huxley lança o seu grande manifesto da "Educação Científica contra a Educação Clássica", Zola dá-nos o seu prodigioso trabalho sobre "Gustavo Flaubert", tantos outros trabalham e criam, e o Génio do século forja, com um ruído sublime, na sua bigorna de bronze e ouro, as ideias e as palavras que ficam. E nós aqui a escrevinharmos não sei que coisinhas minúsculas, que, apenas rabeiam um momento sobre o papel, são logo pó imperceptível!..." [a propósito de um artigo de Eça de Queiroz sobre Portugal, que Pinheiro Chagas disse ter insultado o País]
Eça de Queiroz, Notas Contemporâneas, Lisboa, Livros do Brasil, 2000, pp.60-61 [primeira edição em 1909, póstuma].

01/02/2010

PARA SEMPRE: Correia da Serra

"O primeiro passo de uma nação para aproveitar as suas vantagens, é conhecer perfeitamente as terras que habita, o que em si encerram, o que de si produzem, o de que são capazes. A História Natural é a única ciência que tais luzes pode dar."

José Correia da Serra, in Discurso do início de Memórias Económicas da Academia das Ciências; tal como citado por Rómulo de Carvalho in A História Natural em Portugal no Século XVIII, Biblioteca Breve, Lisboa, 1987, p.74 



Nota: José Correia da Serra foi um naturalista do século XVIII e fundador da Academia de Ciências de Lisboa (Dezembro de 1779), juntamente com D. João Carlos de Bragança, 2º duque de Lafões. Juntos, criaram o Gabinete de História Natural da Academia de Ciências.

10/10/2009

PARA SEMPRE: La Mettrie

“Sim, o conhecimento [Étude]é um prazer de todas as idades, de todos os lugares, de todas as estações e de todos os momentos”.

in La Mettrie, O Homem-Máquina

09/10/2009

PARA SEMPRE: Os antibióticos

"OS ANTIBIÓTICOS NÃO SÃO UMA CURA MILAGROSA".
Custa assim tanto a entrar?

05/10/2009

PARA SEMPRE: Pascoaes

"O homem é o espaço e o tempo. Os outros animais são apenas o espaço."
Teixeira de Pascoaes